Quanto vale ou é por quilo, longa-metragem lançado em 2005, do diretor paranaense Sérgio Bianchi, é uma adaptação do conto Pai Contra Mãe, de Machado de Assis. O filme traça um paralelo entre a vida no período da escravidão e na sociedade brasileira contemporânea, focando as semelhanças existentes no contexto social e econômico das duas épocas.
A obra transpôs os personagens para exemplos atuais de uma metrópole como São Paulo: a Arminda, outrora escrava em fuga, agora é uma líder comunitária negra; Clarinha, a mulher do capitão-do-mato, é revivida na figura de uma ingênua moça da periferia com aspirações ao sucesso midiático; a “tia Mônica” de Bianchi é uma empregada doméstica que sonha em ocupar o cargo da patroa e em troca descontar-lhe os anos de humilhação, e o herói do conto, Candinho, agora trabalha como lixeiro que, por imposições do meio e da tia autoritária, acaba recorrendo à prática ilegal de matador de aluguel para sustentar a família.
Psicopedagogos, assistentes sociais e demais profissionais que atuam no Terceiro Setor (Organizações Não Governamentais na área da saúde, educação e outras), não podem perder a oportunidade de ver esse filme, que nos brinda com questionamentos bastante interessantes sobre questões éticas, sociais e históricas quanto ao atendimento das necessidades da população por iniciativas da sociedade, e não, como deveria ser, por políticas públicas.
Prof.ª Dr.ª Fernanda Neisa Mariano
Docente do curso de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional




