Leo Kanner, em 1943, descobriu um grupo de crianças seriamente comprometidas com desordens mentais, diagnosticadas, em sua maioria, como esquizofrênicas. Verificou que nessas crianças a desordem fundamental e patognomônica (sinal que por si só caracteriza a doença) é a incapacidade de se relacionarem com as pessoas e situações desde o início da vida.
São crianças que gastam muito tempo em atividades repetitivas, são resistentes à mudança, possuem boa relação com os objetos e não contatam pelo olhar, mostrando incapacidade inata de formar ligação afetiva com outros indivíduos.
Os números são alarmantes!
Nos EUA uma a cada 100 crianças é diagnosticada com espectro autista e a realidade brasileira mostra estimativa de uma a cada 88 crianças, aproximadamente.
Nos tempos atuais a realidade se mostra tão desconfortável quanto era em 1943. A peregrinação dos familiares e seus pequenos pacientes para melhor atendimento hospitalar, diagnósticos, orientação e melhores condições de vida são dramáticas nas diversas camadas da população.
É necessário criar política de saúde pública para tratamento e diagnóstico da doença, fomentação às pesquisas e intervenções precoces. A Lei 12764/12 (Berenice Piana, que dá o nome a Lei) assegura o atendimento e tratamento aos autistas pelos CAPs (Centro de Atenção Psicossocial) e que tem sido refutado pelos familiares e ativistas considerando que a entidade é especializada em atendimentos a pacientes com distúrbios mentais e adictos em substâncias psicoativas, e, que o autismo implica em um espectro de complexas interações, exigindo capacitação especializada.
A dor é uma oportunidade de esclarecimentos a quem a sofre e também deveria ser para a sociedade que deve buscar mecanismos de atendimento com qualidade e de excelência a todos.
Saiba mais:
Marcelli, D. Manual de Psicopatologia da Infância de Ajuriaguerra. 5 ed. Trad. Patrcia Chittoni Ramos. Reimpressão, 2007. Porto Alegre: Artmed, 1998. 410 p.<http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2014/04/02/familiares-criticam-regulamentacao-da-lei-de-protecao-ao-autista>
Dr.ª Sueli Aparecida Masson
Professora do Centro Universitário Barão de Mauá




